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domingo, 3 de junho de 2012

Dica de Leitura: Crônicas de Luís Fernando Veríssimo

Luís Fernando Veríssimo é sempre muito bem vindo aqui em casa. Seu extrordinário senso de humor agrada leitores de várias idades. Lembro que trabalhei com meus alunos " Comédias Para Se Ler Na Escola" e foi o maior sucesso. Já li vários títulos do autor, mas selecionei apenas uma crônica do livro "As Mentiras Que os Homens Contam" para aguçar a curiosidade dos leitores de plantão. Espero que vocês gostem!
Bjoks


A Aliança

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.
Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências… Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.
— Você não sabe o que me aconteceu!
— O quê?
— Uma coisa incrível.
— O quê?
— Contando ninguém acredita.
— Conta!
— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
— Não.
— Olhe.
E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
— O que aconteceu?
E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.
— Que coisa – diria a mulher, calmamente.
— Não é difícil de acreditar?
— Não. É perfeitamente possível.
— Pois é. Eu…
— SEU CRETINO!
— Meu bem…
— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.
— Mas, meu bem…
— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!
E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:
— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:
— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.
Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.
— O mais importante é que você não mentiu pra mim.
E foi tratar do jantar.

Luís Fernando Verissimo

*                                *                                  * 

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O Gigolô das Palavras
Ed Mort, Todas as Histórias
Festa de Criança
Aquele Estranho Dia que Nunca Chega
A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto
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Todas as Histórias do Analista de Bagé
Banquete Com os Deuses
O Nariz e Outras Crônicas
O Melhor das Comédias da Vida Privada
Sexo na Cabeça

11 comentários:

  1. Muito legal e adoro essas crônicas dela!!Uma semana linda!beijos,tudo de bom,chica

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  2. Sabe como ninguém descrever o cotidiano, com uma pitada de humor, verdade,na medida certa,adoro!
    Bj e ótima semana.

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  3. Oi Querida!
    \o/ As cronicas dele são ótimas mesmo!
    Um grande abraço e Uma ótimas semana
    Ana Cristina

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  4. Grande Luis F Verissimo...Sempre bom de ler!!Bjs na alma.

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  5. Ler é muito bom adorei as dicas beijos

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  6. Sensacional essa dica!O pior é que é acontece muito!...rss...bjs e boa semana!

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  7. Vou vir ler depois com calma, estou morrendo de dor de garganta e cansada. Gosto das crônicas de Veríssimo, vim só retribuir sua visita e trazer carinho :)

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  8. Olá vim visitar seu blog! Achei lindo! Estou seguindo seu blog e convido você a conhecer o meu.
    Ficarei feliz se quiser seguir o meu blog também!
    Meu blog é esse: http://amorporamigurumis.blogspot.com.br/

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    BEIJOS MARIA GOULART
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  10. Adoro dicas assim, estou de olho!
    Bjs e uma ótima semana!
    CamomilaRosa

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  11. Obrigada pela dica!
    Adorei sua visita tão querida!
    Obrigada pelo carinho, quando estiver preparada voltarei a bloggar, mas por enquanto a pausa continua...
    Beijos e abraços
    Canela

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